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BID: Os bastidores de um espetáculo desenvolvimentista
            Abra os olhos, veja o mundo que te cerca. Isto não é, embora possa vir a ser o mundo. Nada é impossível, já que somos seres pensantes, mesmo engajados nesta esfera de dominação denominada neoliberalismo. Esfera a tal, responsável pela mecanização dos sentidos. Ouvimos o que querem que ouçamos, falamos o que querem que falemos, vemos aquilo que querem que vejamos. Por isso, somos agentes pacientes da mudança.
            Nossa infinita paciência diante das questões que afligem a sociedade nos permite esperar os financiamentos do BID. Mas, não agiríamos assim caso nós fossemos as vítimas fatais deste contexto social assassino.
            O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) surgiu em 1959, através da ação do então presidente Juscelino Kubitschek e após uma frustrada tentativa em 1889. Esta instituição financeira composta por 47 membros, representados por uma Assembléia de Governadores, tem como objetivo o apoio ao desenvolvimento de políticas sociais na América Latina e Caribe.
            A 47ª reunião anual do BID, ocorrida durante os primeiros dias de abril, foi realizada na capital mineira de eventos, Belo Horizonte. O local escolhido foi o Centro de Convenções, o Expominas, na Gameleira.
            Apesar da importância do evento, uma massa de revoltosos se posicionou contra, como o caso da manifestação no prédio da CEMIG (Companhia Energética de Minas Gerais). Só que muitos se esquecem que o ideal destas classes humilhadas não é a baderna, mas sim, a reação contra o entreguismo nacional e a dependência político-econômica desta nação.
            As imensas dificuldades para a realização do evento em Minas, tais como a concorrência direta com as metrópoles nacionais: São Paulo e Rio de Janeiro, parecem ter sido mínimas perto das maquiadas realizações como o "choque de gestão" do governo Aécio Neves, o eficiente transporte ferroviário urbano (o metrô), as largas e pavimentadas vias belo-horizontinas e o ligeiro policiamento, chegando a ponto de levar a cavalaria às ruas. Uma sensação agradável, que arrancou do presidente do banco Luis Alberto Moreno (COL), elogios quanto à administração local. Quem dera que tivéssemos um BID a cada semana.
            O Brasil como maior cliente do BID, seguido da Argentina, tem domínio de 10,75% da Assembléia e conseguiu algo em torno de R$ 50 bilhões em recursos levantados na já citada reunião deste ano.
            Já Minas Gerais, sede do evento, arrecadou valores que giram em torno de R$ 6 bilhões, sendo que quase 60%, para ser mais exato, R$ 3,5 bilhões, estão destinados ao Vale do Jequitinhonha (nordeste do Estado de Minas Gerais, englobando Médio e Alto Jequitinhonha). Além do mais, foram assinados 18 contratos com o banco, sendo dois deles para a capital mineira (contratos de segurança pública e infra-estrutura).
            Se expusermos os problemas, deixando a condição de meros reclamantes, observaremos que existem diversas regiões sofridas e massacradas como o Alto e Alto Médio São Francisco, o Vale do Mucuri, Paracatu e por que não, Belo Horizonte.
            A capital mineira, para quem não se lembra, é a cidade do radicalismo (BH 360º). Basta olhar para as favelas e penitenciárias para percebermos que o tiro ao alvo está em alta e que neste alvo estão quase sempre inocentes. É esta violência que causa medo não só em Minas, mas em todo o globo. Exemplos não faltam e São Paulo tem consciência plena deste fato, uma vez que o PCC (Primeiro Comando da Capital) através de celulares causou pânico e horror na sociedade paulistana, assassinando friamente policiais, civis e bombeiros, trabalhadores com a missão de salvar vidas.
            As alarmantes taxas de natalidade aliada ao baixo IDH (renda per capita, expectativa de vida e alfabetização) fizeram do Jequitinhonha o foco do BID em Minas. Só que as periferias materialmente equalizadas, as populares favelas, são o retrato do crescimento desordenado e da miséria nas metrópoles. Como banqueiro não entende de política social, cabe aos nossos governantes terem discernimento ao aplicar os recursos do BID.
            A cultura é o reflexo de que não basta dinheiro para mudar a condição brasileira de submundo. Falta sensibilidade na sua aplicação, idéias que venham reduzir custos e que objetivem resolver, não só assistindo a população carente.
            Os financiamentos passados do BID em nada melhoraram as vias brasileiras, a educação, com a famigerada Escola Plural (não educa, aprovando alunos que mal sabem ler e escrever), a saúde...
            As políticas assistencialistas continuam a formar seres conformados, que se contentam com as migalhas ofertadas pelo governo.
            Por isso, uni-vos, para que juntos possamos ser agentes ativos da mudança.

por Lucas Alvarenga

Postado por Equipe FINPE Alternativa às 13:19
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