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Cultivando o passado com olhos no futuro
China - uma socialização capitalizável com ares populistas

A beleza da vida encontra-se nos mais simplórios atos, não menos gloriosos ou heróicos, já que a existência não deve ser uma personificação do parecer ou um culto aos grandes momentos, pois estes são passageiros. Dizia o filósofo chinês Laozi, que viver é estar em harmonia com a natureza, fazendo dela a essência do nosso cotidiano. Lamentavelmente somos seres egocêntricos e não enxergamos o verdadeiro significado da convivência, renegando nossa cultura e nossos costumes e olhando com olhos de cobiça tudo o que nos cerca.
Há tempos atrás, um império consolidado pelas dinastias Qin e Han estendeu-se pela Ásia, espalhando sua cultura e seus ensinamentos aos povos por ele dominados. Hoje, não mais um império, a China calca seu futuro mirando seu passado. A história está viva na memória e no estado chinês. Basta vermos a Grande Muralha da China, os palácios imperiais na Cidade Proibida, os templos e as marcas da Revolução Popular Socialista de 1949. Para os chineses, hegemonia sempre foi sinônimo de independência, liberdade e busca pela paz.
Embora a República Popular da China, embasada principalmente no confucionismo (corrente de Confúcio que ressalta os princípios morais) e no taoísmo (filosofia de Laozi que defendia a vida em harmonia com a natureza), seja exemplo de nacionalismo ante as seqüelas imperialistas, é esta a divisora de águas do mundo globalizado, a mola propulsora da economia mundial e a grande bolha inflacionária.
Após a morte do "grande timoneiro" Mao Tsé-tung (Mao Zedong), a tentativa socialista baseada na revolução campesina (diferente da soviética, embasada na revolução do proletariado) perdeu força e o Partido Comunista Chinês (PCC) iniciou as denominadas reformas da economia socialista de mercado que modernizaram os setores econômicos através da incorporação de tecnologia, de qualificação e da abertura para o capital estrangeiro, principalmente nas Zonas Econômicas Especiais (ZEE), oferecendo incentivos fiscais e alfandegários e assim, tornando-se um mercado emergente. Os números comprovam: trilhões de dólares em exportações, sendo a 4ª economia mundial, atrás de EUA, Alemanha e Japão, crescendo a 13,5% ao ano, número que cairá para 9%, já que o país almeja crescer com maior qualidade, não subordinando sua economia ao mercado mundial, que absorve a grande parte de sua produção.
Na bandeira, o vermelho socialista já parece contrastar com o amarelo da riqueza capitalista, estando a China Campestre de cerca de um bilhão de habitantes, embebida pelas idéias socialistas da revolução de 1949 e pelos avanços que ela trouxe, tais como educação, saúde e moradia de qualidade; e a China dos arranha-céus, que capitaliza todos seus segmentos, explorando uma massa de mais de 300 milhões de trabalhadores que empregam suas forças por cerca de 16 a 20 horas, a fim de receber um dos piores salários do mundo. O interior agrário socialista vê o sudeste e leste, nas figuras de Xangai, Cantão, Nanquim, o porto de Hong-Kong e Pequim, sucumbir economicamente e atrelar a estes paraísos financeiros, toda uma economia globalizada.
Além disso, os burocratas do PCC são um empecilho para maiores mudanças, já que abusam de autoridade, sendo constantemente acusados de repressão, um entrave para uma China capitalista. A estrutura unicameral é determinante, o que faz do Congresso Nacional do Povo, um órgão consultivo irrelevante e torna a atual condição política chinesa, um populismo mascarado pela idéia de uma nação socialista. O nacionalismo impregnou na mente de seus filhos, propiciando a formação da Indústria do Dragão, subsidiada e forte realizadora do antidumping, construindo o monopólio Made in China. O mundo chinês recebe de braços abertos os "avanços", como a propriedade privada, o empresário, o capital volátil, o controle jurídico sobre as empresas e a formação de blocos, aliando a países em desenvolvimento e quebrando-os.
A fome devastadora por dividendos deixa marcas. A usina hidroelétrica de Três Gargantas, a maior do mundo até 2009, devasta o meio-ambiente e contamina o Yang Tsé (Rio Azul), além do solo, vítima da industrialização tardia chinesa e de sua matriz energética poluente, da chuva ácida e do 2º maior buraco na camada de ozônio. Não há lei de proteção ambiental, pois a lei é a exploração ambiental, o que leva milhões de pessoas no país e indiretamente no mundo, a doenças e danos irreparáveis.
A China cresce e pede para não crescer mais. A quebra da bolsa de Nova York (1929) foi um alerta. Se esta efervescência emergente não explorar seu mercado interno, o mundo estará nas mãos da política dos burocratas chineses e nas bolsas desta nação. Viva a operante inoperância capitalista, que corrompe os seres e os destrói com crises. Pois, o que seria do mundo sem as bugigangas e o açoite que marca a pele da tão explorada sociedade consumista, cega, porém certa de que não vive, mas sim, sobrevive.

por Lucas Fernandes Alvarenga

Obs.: Texto corrigido no dia 1º de abril (não é mentira), no quarto parágrafo.

Postado por Equipe FINPE Alternativa às 09:12
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