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A chama se apaga, o sonho não acaba
¿Cubalibre a una "Cuba libre" sin Fidel?

Os sonhos não morrem sem antes terem nascido. A chama não se apaga sem um dia ter queimado. Todavia, as revoluções terminam, consumindo os ideais no fogo da mudança e alimentando os sonhos através da história, até que o novo amanhecer seja violado por sangue e lágrimas, trazendo consigo, um novo líder que se doe de corpo e alma à causa por ele defendida.
Talvez a imagem destemida e heróica de Ernesto Guevara, "Che", seja hoje para milhares jovens, um mero acessório no look das sociedades de consumo e não mais, o símbolo da juventude socialista e da liberdade almejada nos anos 60 e 70. O conforto capitalista compeliu o sonho de uma sociedade igualitária, tornando-o recluso à prisão do pensar e do existir. Cuba, a esperança menina da mudança, se fez nódulo talhado por "cale-se" e pela pobreza advinda do embargo econômico imposto à ilha na OEA (Organização dos Estados Americanos), pelo governo estadunidense.
O socialismo cubano, se assim podemos chamá-lo, não foi obra de um sonho, nem do ímpeto revolucionário de Martí, Che e Fidel. Esta doutrina deve-se à aversão à política estadunidense que através de Trujillo e Fulgêncio Batista, generais-presidentes da república, fez dos cubanos escravos dos joguetes e da prostituição, vista nos cassinos e nas periferias da ilha caribenha. O socialismo imposto em dezembro de 1961 foi simples alternativa, não o desejo de uma massa crente nos ideais de Marx, Engels e Lênin.
Sob a sombra do líder Fidel Castro, à esquerda castrista fez da revolução uma ditadura forçada pela potência capitalista, que isolou Cuba a fim de dar início à efervescência que certamente tomaria conta da população, não satisfeita com os mecanismos de controle social e excluída do processo de globalização e de ascensão comum a sociedades de classes. Classes que não foram abolidas da ilha, mas sim, concentradas em duas vertentes: a do inchado e burocratizado Estado, que abriga partidários do PCC (Partido Comunista de Cuba) e servidores públicos; e a população, o que permite dizer que Cuba nunca foi comunista de fato, como pregam alguns.
O paredão, as dificuldades de emigração, as relações castristas rompidas com os governos neoliberais, a miséria, a personificação de Fidel, a precária infra-estrutura e a excessiva concentração de poderes do Estado contrastam com a erradicação do analfabetismo, a saúde de ponta que a confere o status de "a melhor do mundo", com a biotecnologia, com o incentivo ao esporte que fizeram de Cuba uma grande potência olímpica e com as reforma agrária e urbana (moradia a todos).
Desde a Revolução impetrada de Sierra Maestra à Havana, em 1º de janeiro de 1959, passaram-se 49 anos consecutivos de Fidel Alejandro Castro Ruz no poder, que hoje acumula, uma fortuna de 550 milhões de dólares. Agora, com a tão aguardada renúncia deste líder a presidência em fevereiro deste ano, restou-lhe o controle do PCC e comando supremo das Forças Armadas, o que faz do novo presidente Raúl Castro, seu irmão, figura decorativa do Estado Maior.
O fim do castrismo de Fidel trará "cubalibre a uma Cuba libre", abrindo as portas ao capitalismo, a exemplo da China, e às desigualdades alarmantes dos países periféricos ou manteria a ditadura de "ares socialistas"? Apesar do general Raúl, de 75 anos, ser um admirador do modelo chinês, a saída para o atual momento cubano estaria na dita "Terceira Via" ou social-democracia pregada por François Mitterrand, que ao bem da verdade é, o primeiro passo para o socialismo.
Seguindo este modelo, a pequena ilha entraria na fase da "economia socialista de mercado", com maior abertura ao capital estrangeiro, submetido aos planos qüinqüenais e ao reinvestimento dos lucros no próprio país. A educação formaria mão-de-obra consciente, qualificada, participante das decisões e de parte dos dividendos da empresa. Para isto, seria necessária a implementação de leis mais flexíveis à legislação trabalhista, a fim de aprimorar o operário, tornando-o multifacetado. Setores como o turismo, a biotecnologia e a indústria química seriam áreas propensas a investimentos. Agricultura, pesca e pecuária ligar-se-iam diretamente à indústria a fim de agregar valor ao produto bruto. E claro, seria fundamental a redução do Estado e seus supérfluos gastos.
Um regime e milhões de desertados por causa dele. Todavia, Cuba se orgulha, pois como bem disse Fidel: "Esta noite milhões de crianças dormirão na rua, mas nenhuma delas é cubana".

por Lucas Fernandes Alvarenga, via e-mail

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Postado por Lucas Ribeiro às 12:01
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